Saúde: viagens encarecem custeio do hospital regional em Sobral

Mesmo com um custo mensal de R$ 180 mil, somente com passagem de avião para médicos que residem na Capital, os serviços mantidos pelo Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, ainda não estão em sua capacidade plena. Apesar de ter sido realizada a seleção pública para aquela unidade, ainda faltam médicos. Cirurgia geral e pediátrica são demandas não atendidas na totalidade, embora a direção do hospital afirme que se trata de um efeito da pactuação com as metas estabelecidas pelo Estado.

Há dois anos o transporte aéreo de médicos, contratados ou com vínculos precários, faz parte da rotina do hospital. De lá para cá, nunca houve interrupção nos deslocamentos de Fortaleza para a Zona Norte. No entanto, há a constatação de que se reduziu o quantitativo do atendimento, como admite a diretora de Processos Assistenciais do hospital, Manoela Monte, embora não informe o percentual decrescente. Um dos atendimentos mais prejudicados é o de cirurgia geral, havendo também diminuição nas intervenções de neurocirurgias.

Manoela minimizou a relação do transporte aéreo e a restrição de médicos residentes em Sobral. Ela diz que a viagem se dá para atender uma oferta complementar de profissionais que atuam e moram na cidade. Essa redução, conforme explicou Manoela Monte, se deu porque o hospital vinha atuando acima da meta estabelecida pelo governo do Estado.

“Nós trabalhamos com a pactuação. Os contratos são firmados por cirurgias mensais”, disse a diretora. Segundo ela, o hospital vem retomando a performance esperada, embora o número de cirurgias e outros procedimentos da atenção secundária se dê de forma variável, conforme o crescimento ou não da demanda regional.

Com isso, Manoela explica que há meses com maior número de cirurgia, enquanto outros há um número menor. Procedimentos complexos na área da neurocirurgia, segundo ela, têm um prazo de até 15 dias para sua consecução.

O HRN foi inaugurado em janeiro de 2013 e já na sua inauguração, que contou com o polêmico show de Ivete Sangalo, por conta de um suposto alto cachê cobrado pela cantora baiana, não chegava a funcionar 100% da sua capacidade.

Aeronave

O transporte aéreo é mantido há cerca de dois anos e tem sido utilizado para suprir a falta de profissionais naquele município, destinados para o atendimento de saúde secundário e terciário, sendo considerada com uma medida paliativa pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, uma vez que a saída seria a realização de concurso público.

Além de profissionais saindo de Fortaleza para um plantão de 24 horas, boa parte do quadro médico da unidade hospitalar é formada por profissionais provenientes do Piauí. Manoela diz que as equipes de plantão, a exemplo do que acontece em qualquer hospital, não sofrem perdas com a mudança de equipes, uma vez que a transição supre as escalas.

Por cada plantão de 24 horas, o médico recebe R$ 4.000,00 ou R$ 5.000,00, nos fins de semana. Para um profissional, que não quis se identificar, o hospital possui boa estrutura mas tem desestimulado aqueles com vínculos precários, que não recebem desde junho. “Estou pensando em desistir. Trabalhar com salário atrasado não tem como se sentir motivado”, disse. Ele lembrou que os custos com a viagem eram, antes, bancados pelo poder público. Agora, parte das despesas é arcada pelos próprios passageiros.

A médica pediatra Melissa Magalhães está atuando no HRN desde abril deste ano. Ela afirma gostar da atividade, mas reconhece a demanda de pacientes infantis, com a restrição de atendimento em outras unidades de saúde do município.

Em Sobral, além do hospital Regional, há ainda o Dr. Estevam Pontes, que chegou a interromper o atendimento infantil, a Santa Casa de Misericórdia, que dispõe de 18 leitos na ala pediátrica, e a Unidade Mista.

Com a limitação da oferta nessas três unidades, houve uma sobrecarga no HRN, enquanto que as equipes de saúde permanecem com o mesmo número. Para chegar até Sobral, os médicos de Fortaleza fazem uma viagem de 30 minutos.

O voo acontece diariamente, saindo de Fortaleza às 07:15hrs, do antigo terminal do Aeroporto Pinto Martins, e retornando por volta das 9h15 dos mesmos dia e local. O avião é um Bandeirante turbo-hélice, fabricado pela Embraer, com capacidade para 18 lugares.

No entanto, no itinerário entre Sobral e Fortaleza, há até 13 passageiros. Esses atuam, em sua maioria, como plantonistas em cirurgias eletivas, dentro do perfil de atendimento do hospital regional. A unidade não atende trauma, uma vez que os pacientes com esse perfil são destinados para a Santa Casa de Misericórdia. O transporte é feito pela Rota do Sol Táxi Aéreo, após a rescisão de contrato de um ano com a Easy Táxi Aéreo. O gerente Anchieta Teles disse que o serviço acontece há um ano, ocorrendo todos os dias, sem interrupção. O custo com as viagens gira em torno dos R$ 6 mil por dia. Em 12 meses, a estimativa é que serão gastos R$ 2, 6 milhões.

Ainda com relação aos gastos com passagem, adianta que cada servidor paga sua passagem. Contudo, os custos com os voos são pagos parte pelos profissionais e a outra parte pelo do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), que gerencia o hospital regional.

Crítica O secretário-geral do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec-CE), Lino Holanda, acredita, pessoalmente, que o transporte aéreo encarece o custeio. No entanto, lembra que foi convencido com os argumentos apresentados pela entidade mantenedora da unidade hospitalar de que o gasto extra compensa o tempo gasto por via terrestre. Além disso, o secretário-geral entende que o mais importante para o Conselho é que as escalas sejam preenchidas, enquanto não se capta profissionais para residir no município.

“Nas planilhas apresentadas ao Cremec-CE, foi revelado que os custos com passagem aérea valem pelo benefício em reduzir de oito para uma hora no transporte até o hospital”, afirmou Lino Holanda. Para o presidente da Associação Médica Cearense, Carmelo Leão, a crítica vai num outro sentido. Segundo ele, o pagamento de uma diária de R$ 4 a 5 mil para os médicos com prestação de serviço autônomo é de um valor elevado e que encarece o custeio da saúde, não obstante entender que, pela precariedade de vínculo, deve ganhar mais.

Carmelo leva em consideração os valores cobrados por cooperativas médicas. Ele lembra que o plantão de 20 horas semanais para os médicos que iniciam a carreira no Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF), têm salário inferior a R$ 2 mil. Já as cooperativas médicas de grande porte pagam, em torno de R$ 2 mil, para o plantão de 24 horas. “Entendo que o profissional que ganha por serviço prestado acaba não tendo vínculo nem com o hospital e nem com a comunidade”, disse Carmelo.

Fonte:Diário do Nordeste

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