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FUTEBOL A GRANEL (I) O PÊNALTI DO ELIEZER

FUTEBOL A GRANEL (I) O PÊNALTI DO ELIEZER

(Do anedotário futebolístico de Porto Velho)

Por: Altair Santos (Tatá)

Contam que: no Estádio Aluízio Ferreira jogavam o Botafogo presidido por Dom Camacho Prudêncio Chavez e o Ypiranga do Presidente Sebastião Nascimento Lapa. Em quando criança, um dos nosso ídolos no Bairro do Triângulo era o Eliezer, filho do então trabalhador da EFMM Geraldo Siqueira (o Seu Alumínio), o centroavante, o homem agudo, a alegria e esperança de gol do ataque alvinegro.

O negão alto, forte, veloz, apelidado de “gazela negra,” provido de técnica mediana, porém aquilatado em força física, arrancou a mil por pra sacudir as redes. Os defensores contrários, em vão, bem que tentaram acompanhar e conter aquele raio, mas só um conseguiu, o zagueirão Boró que usou o derradeiro recurso e, nas últimas, deu um cambito derrubando-o. Priiiiiiiii, foi pênalti e o saudoso Ronaldo Brito, juiz da peleja, apontou para a marca da cal.

Dar-se-ia a cobrança e o goleiro azulino Zé Augusto (o popular Urubu) se posicionou estático no centro da meta, corpo semi curvo para a frente, braços abertos, concentrado de olhos postos na bola à espera da atitude e definição do atacante botafoguense.

Em fração de segundos, Eliezer e Zé Augusto, frente a frente no verde linóleo do teatro ópio-futebolístico, ao testemunho e contemplação da plateia, duelariam históricos e fatais pelo placar do jogo protagonizando a cena consagradora e condenatória do herói-anti-herói. Ali, um dos lados se rasgaria vibrante em riso e êxtase e o outro, vencido, se prostraria amofinado a provar o indesejado fel na taça da amarga derrota.

Às 17h20min daquele domingo, quando o sol já ensaiava se deitar detrás da margem esquerda do Rio Madeira, Eliezer, encarregado da cobrança, aguardou o apito, mirou um canto, preparou, correu, apontou, atirou eeee… desferiu um potente bicudo mandando a bola anos luz acima do travessão, isolando-a além do muro do estádio, sobre o telhado da Escola Senai Marechal Rondon.

O jogo acabou e já era noitinha quando os gandulas, dois garotos magricelas e remelentos, voltaram exaustos trazendo o relato de não haverem encontrado a pelota e nem terem obtido notícia dela pelos quintais dos arredores.

Um ano depois, quando trocavam folhas de zinco e remendavam goteiras no telhado do SENAI, trabalhadores encontraram um couro velho, esquisito e esfarrapado, mas não conseguiram identificar o que fosse aquilo. Intrigados, medrosos até, apresentaram o material à direção da escola para providências.

Segundo constataram peritos e arqueólogos da época, o estranho material era o que restou da pobre bola que se desintegrou quando, antes de alçar voo, explodiu no bico da discreta chuteira número 49 do Eliezer e voar o céu da cidade feito um meteoro. O objeto subiu tanto que varou a atmosfera e, depois, voltou feito um cometa perdido rumo à terra onde se espedaçou esfrangalhado no teto do colégio.

tatadeportovelho@gmail.com

 

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